“(...) Sentada na cama, em frente à janela do quarto de hotel, neste dia em que acordei abstrata, desejo, profundamente, desejo, feito vingança mesquinha, desejo que estejas sofrendo a minha ausência, e quero que doa. Ah! Como quero que doa! E acendo um cigarro, na náusea do vinho barato de ontem e, vil, da vileza mais torpe e mais faceira, quero que minha ausência, em ti, doa.
(...)
– Que a minha ausência te doa! Que a eternidade te queime! Mas. Que o teu amor me procure. – E fecho os olhos e cruzo os dedos e tivesse mesa neste quarto tão pequeno de hotel e eu me meteria embaixo dela, feito criança teimosa, e feito criança teimosa bateria com a cabeça três vezes e pediria e imploraria e choraria que o teu amor me procure que o teu amor me procure que o teu amor me procure e.”¹
Ai, essa dor cor-de-rosa... Descobri essa Helena num livro de contos de uma professora minha. Senti mulher em mim, senti mulher na Helena, senti mulher na minha professora (ainda não assisti a nenhuma aula desde que o livro veio parar em minhas mãos, não sei como vou encarar a professora e pensar na Helena e pensar que se sente enquanto se escreve e que, sentimento assim, só sentindo pra conhecer e falar sobre).
Acho que só me vi feminina – mu-lher-zi-nha, mesmo – depois de ter sentido essa dor sufocada, que se abafa na necessidade de, parecendo bem, colocar vestido, pintar os olhos, passar perfume – tecidos floridos pra estampar a “segurança” com um quê de fragilidade.
Homem dói na gente – mesmo que ele seja outra mulher.
___
¹ TUTIKIAN, Jane. Entre mulheres (contos de amor aprendiz). Porto Alegre: WS Editor, 2005.
(...)
– Que a minha ausência te doa! Que a eternidade te queime! Mas. Que o teu amor me procure. – E fecho os olhos e cruzo os dedos e tivesse mesa neste quarto tão pequeno de hotel e eu me meteria embaixo dela, feito criança teimosa, e feito criança teimosa bateria com a cabeça três vezes e pediria e imploraria e choraria que o teu amor me procure que o teu amor me procure que o teu amor me procure e.”¹
Ai, essa dor cor-de-rosa... Descobri essa Helena num livro de contos de uma professora minha. Senti mulher em mim, senti mulher na Helena, senti mulher na minha professora (ainda não assisti a nenhuma aula desde que o livro veio parar em minhas mãos, não sei como vou encarar a professora e pensar na Helena e pensar que se sente enquanto se escreve e que, sentimento assim, só sentindo pra conhecer e falar sobre).
Acho que só me vi feminina – mu-lher-zi-nha, mesmo – depois de ter sentido essa dor sufocada, que se abafa na necessidade de, parecendo bem, colocar vestido, pintar os olhos, passar perfume – tecidos floridos pra estampar a “segurança” com um quê de fragilidade.
Homem dói na gente – mesmo que ele seja outra mulher.
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¹ TUTIKIAN, Jane. Entre mulheres (contos de amor aprendiz). Porto Alegre: WS Editor, 2005.
3 comentários:
E pintamos as unhas.
Preciso desse livro e preciso que doa. Que ainda doa nele também. Nada nobre, super humano.
Ai Baummm!!
Tu é tudo pra mim, sabia????
Love you!
Mariano??
amiguinhas,viu??
hauahau!!
qro ler esse livroo!!
Baum!!
Saudade de ti, tu sabe que comigo não tem cerimônia. Pq não subiu pra tomar um chimas com pipoca?
Aiaiaiai!Vê se aparece,né e vai ver eu a a sil nos palcos, juntas pela 1º vez, exclusivo!
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